Publicado em: Pecuária

Estudos desenvolvidos pelos pecuaristas demonstram ganho de peso até 30% superior aos animais Zebu x Zebu, além de redução em até um ano na idade para abate. Tais vantagens fizeram a raça saltar de 20 mil bovinos registrados no Brasil para mais de 50 mil nos últimos três anos, estando presente em 17 estados, com destaque para Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, São Paulo e Goiás, onde estão os maiores rebanhos.
Em outubro, a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol) realizou a segunda exposição da raça no país, durante a 48ª Expo Barretos. Este ano, participaram 100 animais, 80% a mais que o registrado em 2014. Durante o evento também aconteceram o Circuito de Genética da raça Senepol e os primeiros leilões oficiais da associação. No Leilão de Reprodutores, houve 100% de liquidez, com comercialização média de R$14,5 mil cada touro. No Leilão de Fêmeas também houve 100% de liquidez, cada uma delas vendida, em média, por R$ 50 mil. Se comparado aos leilões gerais realizado no ano anterior, também houve valorização. 
“Esse crescimento se justifica pela eficiência dos animais. Eles estão indo muito bem a campo: os touros estão cobrindo a vacada, fazendo bom índice de prenhez, a bezerrada está nascendo pequena, não dá problema no parto, e estão desmamando pesados. Isso aí está fazendo com que cada dia mais a raça se valorize”, afirma Neto Garcia, da Agropecuária 3G. 

Cruzamentos
Importado no início dos anos 2000 de criatórios das Ilhas Saint Croix e dos Estados Unidos, o Senepol resolveu um problema que começava no Brasil devido aos altos investimentos necessários para os cruzamentos entre taurinos e zebuínos por inseminação artificial. Além disso, a falta de mão de obra especializada para o trabalho e dificuldade em identificar animais realmente puros acrescentavam dificuldade ao processo. Assim, com a chegada da raça caribenha, um novo fenômeno passou a acontecer, com o Senepol cobrindo vacas zebuínas a campo. 

Neto Garcia trabalha com o Senepol cruzado com Nelore há sete anos. Antes, tinha apenas gado comercial para recria e engorda. Médico veterinário, conheceu a raça durante estágio realizado nos Estados Unidos, onde se trabalhava a reprodução somente com o taurino. Desde então, começou a importar embriões e sêmen para cruzamento Inseminação Artificial de Tempo Fixo (IATF) e depois para criação de touros. Hoje, utiliza somente a IATF e repasse de touros Senepol. 
Seus animais cruzados tiveram adiantamento de um ano no abate e, quando vendidos, a carne já vem com valor agregado, devido aos frigoríficos conhecerem as características desta carne. No geral, é um produto macio com cobertura de gordura acentuada e bem pouco marmoreio. “O Senepol acrescentou ao Nelore ganho de peso na desmama, aumento na produção de leite das fêmeas F1, docilidade, ausência de chifres, padronização e índice de animais guaxos muito pequeno”, explica o pecuarista.
Na fazenda, também foram realizados cruzamentos com as raças Brahman e Guzerá, porém com menor representatividade. Na primeira raça, o Senepol imprimiu o nascimento de bezerros menores, que não apresentaram problema no parto, além de na desmama também se obter um animal mais pesado. Já no Guzerá, uma das vantagens foi o caráter mocho, tirando parcialmente ou totalmente os chifres do zebuíno. 

Nelore e Tricross
Jair dos Santos, da Fazenda Água Limpa, cria Senepol há oito anos, porém deu início aos cruzamentos com o Nelore um ano antes. “Descobrimos que o Senepol era um animal que poderia fazer o cruzamento a campo como o Nelore, mas que nos daria um choque de sangue, uma heterose mais forte, com relação à potencialização da precocidade e do rendimento de produtividade”, explica. 
O trabalho de genética teve início devido à deficiência de touros Senepol no mercado quando a raça ainda começava a se disseminar, para suprir a necessidade do próprio empreendimento e de colegas que começavam. Agora, o crescimento da raça é uma certeza para o criador. “O Senepol é a opção que a agropecuária tem para fazer o cruzamento industrial tanto no choque com zebuíno, como também no cruzamento entre os próprios taurinos, pois ele é a única raça taurina com adaptação e precocidade. O Senepol não é um modismo, é uma ferramenta de trabalho descoberta há pouco tempo no Brasil”, afirma Jair. 
O criador Fabio Mello, da fazenda Senepol da Conquista, também começou primeiro pelos cruzamentos, dando início em seguida ao trabalho com animais puros. “Os cruzamentos são excelentes, com precocidade e conversão alimentar muito boas. No puro, não precisa nem falar, hoje sou um criador apenas de Senepol puro”, afirma. A rentabilidade é o maior benefício visto pelo pecuarista, uma vez que o custo da reprodutora é o mesmo, porém o bezerro tem valor agregado de até 25%. 
Outra forma de cruzamento com o Senepol que também vem sendo explorada é o modelo tricross, com o Senepol em cima de novilha cruzada entre Nelore e Angus. “Ele vai continuar dando rusticidade, heterose no animal e vai sair animais bem padronizados e sem pelo, sempre puxado para o tipo do Senepol, pelo curto, coloração avermelhada ou negra”, explica Neto, da Agropecuária 3G. 
A desmama destes animais fruto do tricross tem acontecido com uma média de 280 quilos. Nos abates técnicos, o modelo também aponta melhor qualidade de carne, tanto em maciez quanto em espessura de gordura, acabamento e gordura marmorizada. Aos 19 meses, os animais são enviados para abate com 19 arrobas. 
Enquanto a maioria dos frigoríficos já paga bonificação pela carne cruzada, a associação e os criadores também estudam uma maneira de criar uma linha de carne específica para o Senepol, quando houver volume suficiente para abastecimento. A expectativa é que o produto seja do tipo exportação.