Publicado em: Pecuária

A raça Sindi é originária do norte da província desértica de Sindhi, no Paquistão. Essencialmente rústico, a raça se adapta facilmente a qualquer canto do país, além de serem animais dóceis, que despertam o carinho de quem cria. Essas duas características, rusticidade e docilidade, foram algumas das principais para espalhar a raça pelo Brasil desde a sua chegada. Atualmente, menos de cem anos depois de o primeiro Sindi chegar a solo brasileiro, são essas mesmas características que encantam os neloristas, criadores do maior rebanho do país. 
Os registros da raça vêm crescendo a cada ano, o que é provado pelos números. De acordo com a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), em 1997, no Brasil inteiro, foram 182 Registros de Nascimento (RGN) de Sindi. O número passou para 554 dez anos depois, em 2007. Em 2014, foram mais de 1,7 mil. O crescimento vem dos plantéis que anualmente aderem ao Sindi para incrementar seu rebanho ou testar potencialidades. 
José da Rocha Cavalcanti é o titular do Nelore Irca, uma seleção de Nelore prestes a se tornar centenária. O criatório fica hoje na Fazenda Providência do Vale Verde, em São Miguel do Araguaia, interior de Goiás. Apaixonado pelo Nelore, o pecuarista dá continuidade ao trabalho da família, buscando uma seleção criteriosa, com ênfase na formação de linhagens, proporcionando uma maior prepotência genética na transmissão de características de relevância econômica. Em 2014 conheceu a raça Sindi, e agora está testando os mesmos critérios de seleção. 
Na ExpoZebu daquele ano, José Cavalcanti conheceu a raça através do entusiasmo do selecionador Adáldio Castilho, atual detentor da maior seleção de Sindi. Na década de 1970, o pai de José, senhor Carlos, já tinha feito cruzamento entre a raça Sindi e Nelore em propriedades na Bahia, mas o empreendimento acabou com o falecimento do patriarca. Quando o filho foi apresentado ao Sindi, resolveu apostar novamente. Em agosto desse ano ele desmamou em sua propriedade dez fêmeas e oito machos de Sindi cruzado com Nelore, primeira experiência com a raça paquistanesa. O resultado agradou: as fêmeas desmamaram com 206 kg aos nove meses, e os machos pesavam 242 kg aos dez meses. 
“Ainda conheço pouco da raça e esses são os primeiros resultados que vi, mas me agradaram. Os animais desmamaram muito bonitos e pesados, apesar de, nessa época do ano agora, estarem sentindo um pouco a seca. Mas o que eu tenho visto é o que eu espero do Sindi: um gado baixo e com ótima quantidade de carne. Acredito que esse é o caminho para seleção da raça quando o assunto é pecuária de corte, e é nesse sentido que pretendo seguir o trabalho”, conta José Cavalcanti.  
Enquanto o nelorista goiano começa a conhecer as potencialidades da raça, existe outro criatório de Nelore que hoje já é consagrado, também, pela seleção do Sindi. Beatriz Biagi Becker é a Sócia Diretora da Beabisa Pecuária, Agricultura e Empreendimentos, com sede em Ribeirão Preto (SP). Ela conheceu o Sindi também pelos olhos de Adáldio Castilho, em 2011. Ficou encantada pelo porte, cor e beleza dos animais. Começou a investir em um plantel selecionado, e adicionou o Sindi às suas criações, que também incluem ovinos Santa Inês e cavalos das raças Crioulo e Mangalarga. 
Pensando nas qualidades que a raça tem para oferecer, a Beabisa adquiriu prenhezes e duas doadoras do plantel das Fazendas Reunidas Castilho, no 1º Leilão Essência da Raça Sindi. Os animais logo demonstraram seu potencial: Primavera da Estiva foi Grande Campeã da ExpoZebu 2011, e sua filha, Primavera da Beabisa, na ExpoZebu 2013 consagrou-se Campeã Novilha Menor. O gosto pela raça foi se consolidando a cada dia.
Em 2014, durante a 80ª ExpoZebu, o Sindi da Beabisa mais uma vez celebrou campeonatos em diversas categorias com seus bezerros, novilhas e garrotes. A criadora, que pertence a uma tradicional família agropecuarista, construiu uma trajetória significativa na pecuária seletiva, e fica feliz em dizer que o Sindi faz parte de sua vida. “Por causa da minha proximidade com criação de cabras e ovelhas, passei a admirar animais de dupla aptidão que sejam rústicos e produtivos. E não existe zebuíno mais adaptado que o Sindi. Nós temos que mostrar o valor desses animais incríveis. Eu ainda quero ver a raça crescer e ter uma presença forte na pecuária”, afirma Bia.