Publicado em: Pecuária

Sítio Rio Negro é uma propriedade de 25 hectares (ha), das quais apenas 12 são ocupadas. O resto é Mata Atlântica. A propriedade do casal Plauto e Michaela Demétrio fica no município de Guaramiranga, há cem quilômetros de Fortaleza, no Ceará. Lá é produzido atualmente leite, queijos coalho, queijo minas frescal, coalhada, ricota, nata de queijo, doce de leite, frutas desidratadas, ovinos para corte, e flores. Tudo em harmonia tão perfeita com o meio ambiente, que o sítio nem parece uma propriedade produtora de leite: o cheiro é agradável e quase não se vê mosca por lá.  

O Sítio tem uma filosofia de produção embasada no respeito pela natureza. Toda produção é 100% natural e preza pelo bem-estar animal. O lema por lá é produzir leite de vacas felizes. Todo gado é zebuíno, da raça Gir Leiteiro. A raça foi escolhida pela rusticidade necessária para aguentar o sol cearense, pela qualidade do leite produzido e, especialmente, pelo carinho que o proprietário tem pela raça. 
“Desde criança sou apaixonado pelo Zebu. Meu bisavô já criava gado zebu, há mais de cem anos, encontramos fotos em arquivos da família. O Zebu está em nossa família. Quando eu tinha 17 anos, meu pai me deu uma fazenda no interior do sertão para eu aprender a vida. Fui morar lá, só voltava para estudar. Ganhei dele também um punhado de vacas Gir. Foi assim que eu conheci a raça, e hoje tenho o prazer de selecioná-la”, narra o criador, que também é empreendedor imobiliário. 
Hoje, é esta raça que o casal Demétrio cria. “Eu sabia que ia criar Gir Leiteiro desde o começo. Agora, o que temos aqui é um projeto encantador. E não é só paixão e hobby, isso paga conta. Além disso, é uma grande contribuição para genética do rebanho cearense. Agora, vendo que a tendência do mercado é o gado cruzado, estamos buscando reprodutores para fazer o Girolando com a genética de nossos animais, com a produtividade e qualidade que queremos”. 
A procura pelos produtos produzidos foi necessário abrir uma lojinha na antiga fábrica de beneficiamento de café, que fica dentro da propriedade. “Usamos no laticínio só leite fresco, puro e do dia. Todos os itens são feitos com controle de qualidade e supervisionados pela Michaela, que é nutricionista funcional. Além disso, o leite do gado Gir dá uma qualidade superior aos produtos, devido seu alto teor de sólidos. As pessoas batiam aqui na porta para comprar queijo”, conta Plauto. 
Além dos alimentos, o Sítio Rio Negro também produz antúrios, uma flor de clima tropical, típica da Venezuela. Os antúrios são produzidos pelas mãos de Michaela, e espantam pelo tamanho e beleza. “Busquei em Holambra (SP), de um produtor francês, uma muda da planta adaptada ao clima do Brasil. Trouxe doze variedades de cores, e começamos o plantio, tudo sempre orgânico, sem um pingo de fertilizante, e a custo zero”, conta a produtora. Hoje o sítio vende as flores na loja e ainda abastece quatro floriculturas de Fortaleza, além da busca constante através de nosso site para o Brasil inteiro, já enviamos mudas até para o sul do Brasil. 

História de sustentabilidade
Demétrio cresceu no Ceará, e ser fazendeira sempre foi o sonho de Michaela. Quando se conheceram, sabiam que podiam construir um futuro em comum. Ele, cearense, ela, paulistana. Os dois se conheceram no consultório de nutrição funcional dela, no interior de São Paulo, quando Demétrio ainda era paciente de Michaela. Hoje, são casados e parceiros em um negócio promissor.
Hoje o Sítio Rio Negro é cuidado pelas delicadas mãos de Michaela, que trata das flores e animais como se fossem filhos. Cuidadosa e equilibrada, a fazendeira transpõe para a propriedade seu sentimento interior de equilíbrio com a natureza. Michaela é filha de alemães, e cresceu em São Paulo dentro de uma casa que só se falava alemão. Filha de pai empresário e mãe amazona, ela valoriza sua história através do trabalho presente: os empreendimentos e animais do Sítio Rio Negro são batizados com nomes que remetem as lembranças da família, e ela garante que essas homenagens têm abençoado os negócios.
Desde criança, tinha um apresso enorme pela natureza e pelos animais. Cresceu valorizando um modo de vida saudável, e quando se graduou em Nutrição, buscou foco em alimentação natural. Toda filosofia de amor e respeito à natureza foi plantada por ela, que acredita estar na terra tudo que precisamos. 
Assim que assumiram a fazenda, a primeira coisa que os proprietários fizeram foi tratar o esgoto, que antes era jogado nos dois rios que abastecem o sítio. Construíram fossas biosépticas que alimenta uma plantação de bananeiras, tecnologia desenvolvida em parceria com a Faculdade do Ceará. 
Os dejetos gerados pelas vacas (até 50 kg por dia) são recolhidos diariamente e colocados em composteiras para decomposição. No processo, também são usados outros restos de produção, como as cascas das frutas e podas das flores. Todo lixo produzido pelo Sítio Rio Negro tem utilidade. “É muito mais fácil proteger o que está a sua volta do que negligenciar o meio ambiente que te fornece tudo que você precisa”, garante Michaela.  
Outros investimentos vão chegar em breve, inclusive do exterior. Está vindo da Itália uma máquina de fazer sorvetes, sempre pensando na boa qualidade do gado e do leite e que irá produzir com matéria prima 100% oriunda do sítio. A cremosidade proporcionada pelo leite Gir e seus derivados e também dos doces especial das frutas nordestinas já garantem um produto promissor, o projeto também é da Michaela, juntamente com sua sobrinha Larissa Graf, também nutricionista que acaba de se especializar na Suíça. Posteriormente, o casal também pretende ampliar os investimentos na produção de cogumelos, que já são comercializados pela Dieter, e garantem ser a proteína do futuro. 
“Essa é nossa casa, e esse é um dos motivos porque nos preocupamos tanto com o meio ambiente. Acredito que tudo que você faz pela natureza, ela retribui. Às vezes retribui em dobro”, afirma Michaela. “Não é mais só um investimento em um sonho, agora é também um modelo de negócio sustentável e rentável”, acrescenta Demétrio. 

Dia de campo
O 2º Dia de Campo Sítio Rio Negro reuniu amigos e convidados de todo país em Guaramiranga. O evento foi o primeiro shopping de animais homologado pelo Programa de Melhoramento Genético Zebu (PMGZ) no Ceará. Foram ofertados 17 lotes do Sito Rio Negro e três lotes do convidado Francisco Feitosa, entre bezerros, matrizes e embriões, todos comercializados com sucesso em um ambiente agradável e de confraternização. 
“O Sitio Rio Negro é referência no Estado dentro da raça Gir, se destacando pela qualidade dos animais e pela genética ofertada. Além disso, há toda uma preocupação com o bem-estar dos animais, afirma a técnica da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Marcela Galvão. É ela que acompanha toda evolução da criação.
Todo ano, no mês de outubro, o Sítio Rio Negro se propõe a ofertar seus animais, assim como seus embriões, através de seu DIA DE CAMPO. Em 2016, a data já está programada: 15 de outubro.