Publicado em: Pecuária

A Agropecuária São Francisco do Baguassu chegou há pouco tempo no cenário da seleção genética e já se destaca entre os melhores. Antônio Gomes Perianes Neto, proprietário da marca, é um grande empresário industrial no estado de São Paulo. O paulistano passou a infância ao lado do avô, pecuarista de leite, e cresceu nutrindo carinho e respeito pelo campo. Hoje, tem na pecuária sua atividade mais inspiradora. O Guzerá, em especial, é uma inspiração a mais. 

Há três anos, Antônio conheceu a raça através da seleção Suaçuí, de Avaré (SP), onde já tinha propriedades há 25 anos. Encantado pela beleza dos animais, comprou sete novilhas, mas sem o objetivo de fazer daquilo um negócio. Adquiriu os exemplares para deixar na porta da fazenda, no intuito de enobrecer e embelezar a entra da propriedade, também em Avaré. “Comecei sem grandes pretensões e me empolguei logo quando percebi a versatilidade e mercado do Guzerá”, conta. 
O que era apenas vaidade virou um empreendimento para a vida. Quando as novilhas compradas, já prenhes, começaram a parir, Antônio ficou ainda mais otimista. Animais mansos, de ótima habilidade materna e bonitos surpreenderam o pecuarista, que percebeu que aquele era o momento para aprofundar no ramo.
No início, o plano era continuar com o gado de corte que Antônio já produzia para o abate, usando o Guzerá para potencializar o ganho de peso. O criador não simpatizava com a ideia de fazer seleção genética para pista e leilões, mas com o tempo e as percepções certas, vislumbrou que a Agropecuária Baguassu tinha esse potencial enraizado. 
Quem começou a conversa para seleção elite foi o técnico veterinário Fábio Ferreira, que na época era encarregado de campo das Fazendas Suaçuí. Apaixonado pela raça, ele quem apartou as primeiras novilhas compradas por Antônio. Quando a seleção onde trabalhava liquidou o plantel, Fábio foi convidado por Antônio para tocar os negócios da sua propriedade. Ocupando o cargo de gerente, o técnico incentivou o projeto de seleção. 

A partir daí, a Agropecuária Baguassu passou a incrementar sua equipe e investir em animais de genética consagrada. Antônio adquiriu animais da seleção de Marco Antônio Barbora (Maab) e, posteriormente, do criatório do ex-presidente da Associação Nacional do Guzerá,  Renato Olive Esteves, de São Paulo. Passou a investir em material de qualidade e uma equipe afinada com os propósitos da empresa. Assim, descobriu sua fórmula para se chegar ao sucesso.
“Em tudo que faço na vida, trabalho para que seja muito bem feito. Um projeto como o da Agropecuária Baguassu não poderia ser tocado sozinho, era necessário uma equipe especializada, entusiasmada, focada e alinhada com os pensamentos da empresa. Para isso buscamos a melhor gerência, a melhor consultoria, a melhor mão de obra, desde os profissionais do campo até o laboratório para FIV. A equipe é a chave do sucesso”, conta Antônio.
”Acompanhei o trabalho que Eros Gazzinelli fazia com o Grupo Suaçuí e seus projetos para a raça Guzerá como um todo. Ao definirmos o foco da Baguassu no melhoramento genético e seleção do que há de melhor no mercado, imediatamente fiz contato com ele, que já nos presta seus serviços e conhecimentos há um ano. Antônio tinha um tesouro em mãos, e mostrei para ele o que poderíamos fazer... Estamos apenas no começo, ainda tem muito chão pela frente”, afirma Fábio. 
Os negócios vão bem e só a comercialização de animais na porta da propriedade já vendeu toda a produção desse ano. Hoje são mais 200 matrizes Guzerá em reprodução, e anualmente são produzidos uma média de 200 animais de FIV, além do Guzolando vermelho e branco, uma das apostas da seleção. A Agropecuária Baguassu também cria e seleciona o zebuíno Sindi, embora o foco maior seja o Guzerá. Para 2016, o projeto é dobrar a produção e chegar a 400 prenhezes de FIV. No futuro, a perspectiva é crescer o rebanho 25% ao ano. 
“No abate técnico que fizemos, o Guzerá teve rendimento de 58% em comparação com o Nelore. Nenhum zebuíno tem tanto rendimento de carcaça como o Guzerá. No cruzamento, dá um faturamento líquido de 55%. Isso quer dizer produção a pasto de muita carne de qualidade. Além disso, a raça tem boa adaptação ao confinamento, come e converte mais, por isso dá menos rejeição e aproveita melhor o alimento. A venda é muito boa e a procura é grande. O Guzerá está superando as expectativas, o que leva Antônio a ter gosto pelo investimento”, conta Fábio. 
Com uma equipe que conduz a Agropecuária Baguassu ao sucesso, Antônio leva os negócios com pé no chão e investimentos sérios. A primeira participação em pista foi na 12ª Exposição Nacional do Guzerá, em Curvelo (MG), em maio desse ano. Fábio conta que os resultados já fizeram os olhos brilhar. A fêmea Elma 4 Meninos foi a segunda colocada na Categoria de Fêmea Jovem, e a novilha Quintela da Suaçuí, também segundo lugar, no Campeonato Novilha Menor. Naira FIV Boa Lembrança também foi um dos destaques, ficando em quarto lugar na segunda categoria do Campeonato Vaca Adulta na mais disputada pista dos últimos anos da raça Guzerá.
Outras joias do platel: Maab Jady III, de 950 kg, é a matriarca do primeiro time de pista da Baguassu, com oito filhos em baia, acasalada com três touros diferentes. O Reprodutor Camarote TE IT, parceria com o Guzerá IT, também se destaca em escore corporal, beleza racial, além de produtividade e fertilidade. 
“É de grande importância que empresários como o Antônio enxerguem as virtudes e vantagens da raça Guzerá. O cenário econômico nacional não permite aventuras, por isso a Agropecuária Baguassu tem planejamentos que envolvem a melhoria contínua da raça Guzerá em qualidade, em número e na divulgação dos resultados colhidos em campo e nas baias”, coloca o consultor da agropecuária, Eros Gazzinelli.
A propriedade em Avaré tem 120 hectares (ha), além de 80 arrendados na região. Em breve, os planos incluem expandir mais 40 ha. Tudo para que a Agropecuária Baguassu seja o recanto perfeito para seleção do melhor Guzerá brasileiro.
“O Guzerá é ótimo em produção de carne e leite, e ainda é protegido pela sua origem indiana. É um gado abençoado. Esse trabalho que estamos desenvolvendo com ele já está despontando, e em breve cresceremos mais. Sempre com muito critério”, pontua Fábio. 
A seleção é rigorosa. Todos os animais participam do Programa de Melhoramento Genético do Zebu (PMGZ), da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), e são registrados. Exemplares fora do padrão de registro são mandados direto para o abate, sem chance de revenda. “Se não serve pra nós, não serve para nossos parceiros. Fazemos um trabalho sério de venda do melhor possível. Só vendemos animais registrados, e tudo com garantia de pós-venda”, garante. 

Planos futuros 
Além de dobrar a produção no próximo ano e projetar aumento anual de 25% nos anos seguintes, a Agropecuária Baguassu tem mais projetos ambiciosos. O objetivo principal é fortalecer a já sólida base genética do plantel, e crescer em número e qualidade o time de pista. Para 2017, a equipe já trabalha dois grandes leilões, um de produção e outro de elite. 
Mas o objetivo principal é valorizar a raça, desenvolvendo a sua potencialidade e a levando para todo país. A Agropecuária Baguassu pretende participar de exposições ao redor do país no próximo ano, mostrando o Guzerá para todos os estados brasileiros. Investir em divulgação e disseminar a raça pelo país: esse é um dos principais focos. 
“Mostrar, provar, fazer os testes necessários... Ir de estado em estado mostrando o que é o Guzerá! Sabemos o que a raça representa para pecuária, e queremos mostrar isso para todo mundo. Em dez anos vamos multiplicar muito nossa produção, e vamos trabalhar para estarmos sempre na cabeceira. Se for pra fazer, vamos fazer o melhor e fazer da Agropecuária Baguassu uma das grandes referências na seleção de Guzerá”, garante Fábio.