Publicado em: Pecuária

Indo na contramão de quem acredita que o gado de pista não é produtivo, três julgamentos diferentes seguem a mesma tendência e escolhem animais bons para produção de carne na realidade da pecuária brasileira

Fotos Carlos Lopes

 

A ExpoZebu 2018 foi uma mostra de que a pecuária brasileira pode ser muito produtiva, em especial quando o assunto é produção de carne. Três modalidades diferentes de julgamentos refletiram uma mesma tendência: a busca por animais produtivos e adaptados à realidade brasileira. Além do tradicional julgamento em pista, houve também o Campeonato Modelo Frigorífico, que avaliou 25 animais com fenótipo ideal para o abate, e o julgamento Brahman a Campo, que avaliou de 44 animais criados exclusivamente no sistema a campo.

Na pista, nove raças diferentes foram avaliadas de acordo com o que o campo precisa: produtividade. “Me surpreendi com os animais apresentados. O gado que vimos dentro de pista foi de excelente qualidade, com surpreendente correção de umbigo tanto nos machos como nas fêmeas, ótima musculatura, entre outras qualidades. Os expositores estão preparando muito corretamente o gado, de maneira condizente com a realidade brasileira”, opinou João Augusto Faria, jurado da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), que na ExpoZebu 2018 foi responsável pelo julgamento da raça brahman, que é, por excelência, produtora de carne.

Já o Campeonato Modelo Frigorífico foi um dos grandes destaques do Recinto de Avaliação das Raças Zebuínas durante a ExpoZebu, pelo segundo ano consecutivo. Este ano, ao todo, 25 animais das raças gir, guzerá, nelore, nelore mocho, sindi e tabapuã foram inscritos. O julgamento aconteceu sob o comando do jurado Luiz Martins Bonilha Neto, auxiliado por Alexandre Martendal. Todos inscritos eram obrigatoriamente machos de 16 a 20 meses, participantes de algum programa de melhoramento genético e classificados, no máximo, em TOP 20%.

Na raça nelore mocho, um acontecimento que prova essa busca pela produtividade e eficiência, pois o mesmo Touro foi o campeão do Campeonato Modelo Frigorífico e o Grande Campeão da raça no julgamento tradicional.Rolex FIV da Zoller, TOP 13% do Programa de Melhoramento Genético das Raças Zebuínas (PMGZ), propriedade do pecuarista Raphael Zoller, da AgroZoller, foi o melhor macho da raça nas duas modalidades de avaliação, e seu proprietário explica o porquê. 

“O sonho de toda seleção é ter um animal racialmente superior, com bons aprumos e excelente carcaça. Por isso, um animal que passa pela chancela da pista e do Campeonato Frigorífico, é um animal perfeito para pecuária brasileira. Sabemos que na busca do melhoramento genético, animais com padrão racial superior, aprumos corretos, e de boa conformação frigorífica  são animais economicamente produtivos e eficientes a campo na nossa realidade. O rebanho ideal para ser terminado a campo é aquele que, a pasto com suplementação proteica no inverno, produz animais para o abate em torno dos 24 meses. O Campeonato Frigorífico nos permite identificar e direcionar as características produtivas e econômicas além dos critérios da carcaça, permitindo assim, analisar animais com maior potencial para a rendimento de cortes cárneos e maior rentabilidade aos produtores”, explica Raphael.

 

Rolex FIV da Zoller, TOP 13% do Programa de Melhoramento Genético das Raças Zebuínas (PMGZ), propriedade do pecuarista Raphael Zoller, da AgroZoller, foi o melhor macho da raça em duas modalidades de avaliação

 

O Campeonato também premiou: na raça gir, o touro Plutão BI, da Fazenda Café Velho; no guzerá, o exemplar Globo VII FIV da CM, da Fazenda Santa Virgínia; no nelore, Baruk FIV Bomtempo, da Ipê Ouro; na raça sindi, o touro Apolo Sindi da FTI, da Fazenda Três Irmãos; e na raça tabapuã, levou o título o touro Hame TJG, da Fazenda Chapadão.

 

Julgamento a campo

Enquanto os Estados Unidos confina mais de 90% de todo o seu rebanho, o Brasil consegue um alto índice de produção anual usando o sistema de engorda a pasto. Mais rentável, a engorda adotada desde os primórdios é o mais aceito entre pecuaristas e especialistas do ramo. Para a pesquisadora de manejo de pastagem da Embrapa Gado de Corte, Valeria Pacheco Euclides, “animais criados em pastos viabilizam a competitividade brasileira, ou seja, o custo de produção é mais barato em relação aos criados em confinamento”.

Acreditando que avaliar animais aptos para esse sistema de produção é uma necessidade, a Associação de Criadores de Brahman do Brasil (ACBB) promoveu, também durante a ExpoZebu, um julgamento especial . Anteriormente aos grandes campeonatos de pista, foram conhecidos os melhores exemplares do Julgamento Brahman a Campo, que avaliou de 44 animais criados exclusivamente no sistema a campo, comprovando a rusticidade da raça, única que promove essa modalidade de julgamento nessa edição da feira. A fêmea Grande Campeã foi a Miss W2R POI 1076, propriedade de Wilson Roberto Rodrigues. A Reservada Grande Campeã foi Elegance da Canaã, propriedade da Agropecuária Leopoldino.

Já no campeonato dos machos, o Grande Campeão foi Mister 2632 Portobello, propriedade do Resort Portobello. O exemplar foi arrematado pelo criador Charles Wanderley Maia no Shopping Brahman, também promovido pela ACBB durante a ExpoZebu. “Charles tem um olho de águia, e justamente por isso se interessou por esse touro rústico, provado nesse campeonato que demonstra animais funcionais a campo, que não precisam de nenhum cuidado especial para atingir seu máximo potencial”, conta Noel Abade, responsável pelo gado do criatório Portobello. O Reservado Grande Campeão foi Mister Uber POI 1550, propriedade de Aldo Silva Valente Júnior.