Publicado em: Pecuária

Assim como a Copa do Mundo, as exposições, os julgamentos, os troneios leiteiros e os leilões de gado de elite são um espetáculo à parte, onde são apresentados os melhores times da genética do país. E essa característica move o mundo da pecuária. Os criadores e empresários do setor, que muito contribuem para o desenvolvimento da agropecuária do país, fazem com que o Brasil tenha neste campo, um dos seus maiores índices econômicos. E falando de zebuínos foram muitos os avanços ao longo do tempo, que comprovam a eficácia de programas de melhoramento genético, investimentos em bem estar, e tantas outras técnicas, que fortalecem a qualidade e eficiência dos animais participantes das maiores feiras agropecuárias do mundo. Não é à toa que a genética brasileira tem sido procurada por diversos países e poderá, em breve, ajudar o Brasil a ser fonte alimentar para o mundo. Potencial já existe, e o agradecimento deve ser aos homens que fazem parte do seleto grupo de pessoas que colocaram seu time em campo e jogam para ganhar. Por isso, selecionamos alguns dos melhores criadores de zebuínos e empresários do setor para falar um pouco sobre o trabalho que eles vêm realizando em melhoramento genético, buscando valorizar a carne e o leite, e eles revelam o que precisamos fazer para a pecuária levantar a taça. Eles são os donos da bola.

 

Bruno Vicintin #RimaAgronegócio

O time que o empresário e criador Bruno Vicintin coordena é grande, e, ao lado do pai Ricardo, tem em seu meio de campo animais Nelore que são acompanhados diariamente em todas as etapas do criatório. “Sabemos o que temos que fazer e onde temos que melhorar para conseguirmos manter os resultados”.

A estratégia da Rima Agropecuária é investir em qualidade e tecnologias para o aperfeiçoamento do rebanho e, ainda o direcionamento para a compra de animais importantes, não somente de pista, mas também, as doadoras comprovadas. O potencial do trabalho do grupo soma-se também a uma preocupação com a qualificação dos colaboradores das fazendas, no interior de Minas Gerais. Os recursos também são aplicados nas técnicas de manejo apropriadas e com a finalidade de melhorar os resultados nas conversões corporais dos animais. “Planejamos tudo para aumentar o bem-estar e aproveitar, ao máximo, a fertilidade das doadoras e receptoras”. São elas as artilheiras. E o placar é referência para o criatório.

O primeiro lugar como criador no Ranking da ACNB é o reconhecimento louvável das exigências nas atividades da Rima Agropecuária, traduzidos em trabalho e dedicação, como Bruno mesmo enfatiza. Na ExpoZebu, a cada ano, as premiações garantem a qualidade do produto oferecido pelo grupo e eles “treinam” o seu plantel para ser o melhor, principalmente, em Uberaba, na maior feira de zebuínos do mundo.

 A opção pelo Nelore tem explicação plausível: “o Nelore provou ser o melhor gado para o Brasil graças à sua adaptabilidade ao clima tropical do país. Como todo Zebu, tem especial habilidade em converter forragem em proteína animal para alimentar o mundo com baixo custo”.

Para ele, o Brasil está em desenvolvimento constante e acelerado, falando-se em questões genéticas e de técnicas reprodutivas. Entretanto, para atingir melhores resultados, as pesquisas devem continuar e aprofundar o conhecimento sobre o custo-benefício da nutrição dos animais. “A pecuária ainda tem muitos desafios a serem vencidos. Nenhum outro país no mundo tem tanta área de pastagem e clima satisfatório ao gado como aqui. Precisamos aproveitar todo esse potencial e aumentar nossa pecuária de corte a pasto”.

 

Paulo Horto #ProgramaLeilões

Acumulando mais de 30 anos de carreira, Paulo Horto é o dono das mais importantes empresas do setor agropecuário, a Programa Leilões e a Remate Leilões. A sua performance é notada por grandes nomes da pecuária zebuína e é responsável pela explosão dos leilões das raças.  A tradução do trabalho é a paixão pelo que faz, estendendo essa energia para as pessoas que estão ao lado dele durante a realização das atividades.

Atento a cada lance, o empresário não para, principalmente no campo de colocar as ideias em prática. Inovação é com ele mesmo e, além dos mais de seis escritórios espalhados pelo Brasil, com matriz em Londrina (PR), está ampliando a empresa com mais um no estado do Rio de Janeiro, através do profissional da área Herman Jankovitz, buscando representatividade para a bacia leiteira da região. A cobertura ocupa os extremos do país também. Em Marabá (PA), no Norte, Paulo percebeu a migração da pecuária e focou, estrategicamente, na comercialização de reprodutores e matrizes a campo, além do gado cria, recria e engorda. Já no Rio Grande do Sul, a Programa Leilões está sendo muito bem acolhida pelos pecuaristas gaúchos, onde trabalha também com raças taurinas como o Angus e Braford, além do cavalo Crioulo.

A novidade para 2014 é de que os criadores da raça Nelore terão uma nova ferramenta de comercialização via web, que na concepção do leiloeiro, é um instrumento de baixo custo e alta aceitabilidade.

O olhar detalhado de Paulo Horto e o esforço para abrir novos caminhos para o agronegócio fez com que sua empresa se tornasse líder no mercado. Atualmente, os números não se parecem nada com os 50 leilões realizados ao ano, na década de 90. A equipe de 205 profissionais, hoje se movimenta em torno de 700 eventos deste porte, com faturamento que chega a 650 milhões de reais, somando-se os diversos remates de cada um.

Para ele, é preciso investir ainda mais em genética e tecnologia, para melhorar a qualidade da carne, que já está em plena evolução. “É a última barreira que a gente precisa para dominar definitivamente o mercado de proteína animal no planeta. Essa é a nossa vocação. É o que a gente sabe fazer”. 

Se depender de Paulo, os gols ainda serão muitos, porque o entusiasmo profissional ainda está muito vivo nele. “O nosso objetivo é, a cada dia, nos aprimorarmos como profissionais, para sermos a melhor ferramenta para a comercialização da pecuária nacional, independentemente da raça ou do criador. Queremos dar apoio sempre, com paixão, profissionalismo e determinação”.

 

 

Antônio Salvo #AntônioSalvo 

A seleção Guzerá que leva a marca S é resultado da fusão de quatro criatórios alicerçados no rígido trabalho de Antônio Ernesto de Salvo, há mais de 70 anos, agora aperfeiçoado pelo filho Antônio Pitangui de Salvo, com novas técnicas de acepção zootécnicas, avaliação de lombo, gordura subcutânea, conversão alimentar, entre outras.

Com os sócios Geraldo Melo Filho e Joaquim Martino Ferreira, mantém o trabalho de controle leiteiro na fazenda sede Canoas, em Curvelo (MG), e, também as atividades com a Central na expansão dos negócios na fazenda Barra, em São Desidério (BA), com José Augusto Silveira. As duas propriedades englobam os negócios da família com um projeto de criteriosa seleção visando produzir o que a raça Guzerá oferece de melhor: muita carne e leite em condições tropicais. São 1200 matrizes submetidas a um excelente controle leiteiro e desenvolvimento ponderal.

De acordo com Antônio Salvo, o aprimoramento das técnicas tem objetivo de produzir em escala, animais adaptados às condições brasileiras, com bom temperamento, muita precocidade sexual e acabamento de carcaça, com umbigo e tetas corrigidas, “para que o Guzerá possa mostrar para o Brasil a sua imbatível capacidade de produzir mestiços tanto para carne quanto para leite”.

Neste caso, o Guzolando (Guzerá+Holandês) é um cruzamento típico para um mercado ávido por leite. “Para produzir, precisamos ter um número satisfatório e atender a um mercado altamente rentável para quem utilizar sangue Guzerá”, diz, pois é a mais rústica raça fértil e produtora de leite tropical.

No Guzonel, alcança-se, então, o valor agregado do produto Guzerá, no cruzamento com o gado de corte Nelore, onde se juntam as qualidades das duas importantes raças, atendendo as exigências do mercado. 

“O que precisamos ter na pecuária moderna brasileira, é uma raça que seja adaptada às condições tropicais brasileiras. O Guzerá, por ser uma raça completa, tem uma defesa forte que é a rusticidade e a conversão.

O meio-campo bem armado que é a escala de produção e um ataque artilheiro que é o lucro na mão do pecuarista, tanto na carne como no leite. O jogo pode ser em várias posições, porque é uma raça multifuncional e completa”.

 

Luiz Ronaldo #LeiteGir

Ele domina o campo assessorando nada mais nada menos do que 80% dos leilões de Gir Leiteiro em todo o país. A carreira de sucesso do veterinário, especialista em exterior e julgamentos de zebuínos, palestrante, assessor pecuarista, responsável pela criação da Leite Gir Genética e Manejo, começou bem cedo.

Com esse currículo, Luiz Ronaldo de Paula é um dos mais conhecidos e solicitados profissionais que lida com a raça Gir Leiteiro no país. Filho de criador, sempre teve contato com as raças zebuínas, e desde sempre mostrou a sua paixão pela profissão.

Em 1993, assim que se formou, já começou a se destacar. Logo com duas propostas de emprego, acabou optando pela Embrapa Gado de Leite, naquele momento apenas como estagiário. Depois, ocupou o cargo de técnico onde atuou por três anos ligado ao Programa Nacional de Melhoramento de Gir Leiteiro (PNMGL). Além de atuar em julgamento de 1999 até 2003, sempre em parceria com a Embrapa participava não só dos nacionais, mas também dos regionais e estaduais.

Dez anos após sua formatura fundou, com a parceria de outros profissionais, a Leite Gir. “Na época não havia nenhuma empresa de consultoria técnica ligada ao Gir Leiteiro. Ela foi pioneira e contou com muitas pessoas que colaboraram para que a empresa pudesse se firmar como uma alternativa de suporte”.

Ele lembra que a raça ganhou a sua força recentemente e que, apenas, em 2003, passou a integrar os eventos zebuínos. O assessor já chegou a realizar 116 leilões, em um único ano, o que o deixa na lista dos mais bem requisitados no mercado.

Mas, mesmo com o sucesso, ele defende que o ideal é que o time de técnicos aumente. Somente dessa forma o Gir Leiteiro receberá o seu merecido destaque entre os melhores. “Eu defendo que o crescimento da raça passa pelo aumento da quantidade e da qualidade de técnicos que militam por ela. Sempre defendi isso, a obrigação dos mais experientes é renovar e formar mais profissionais. Quanto mais pessoas envolvidas e competentes tiver, mais a raça cresce”.

Ele aponta ainda que a pecuária precisa mudar a sua tática de jogo, dessa forma atingindo a todos com mais informação. “Hoje existe um conjunto de ferramentas muito mais avançado e especializado do que tínhamos a dez ou cinco anos atrás, mas ainda não atingimos a difusão dessas novas tecnologias, não temos o mesmo nível de capacidade e potencialização que é preciso”.

“Os medicamentos evoluíram muito, a genética, a nutrição, enfim, o que não evoluiu foi levar essa informação a quem de fato utiliza, que é o usuário, o produtor de leite, que não tem acesso. Precisamos pensar em modelos mais atrativos”, finaliza.

 

João Leopoldino #BrahmanCanaã

 “Genética, manejo e mão de obra devidamente treinada”, é dessa forma que o artilheiro da seleção da raça Brahman, João Lepoldino Neto define a sua trajetória. Um dos maiores responsáveis por difundir a raça no país, ele é proprietário do Grupo Bandeirantes que visa a valorização da seleção com um trabalho feito com seriedade.

O pontapé inicial para a criação foi dado em 2004, quando o empreendedor resolveu investir em uma raça zebuína. Assim escolheu o Brahman, que tem como uma de suas principais características a docilidade, a resistência e a habilidade materna, que o deixou fascinado.

“Desde que começamos, há dez anos, até hoje, continuamos atentos a bons investimentos. Mas, é preciso um direcionamento para traçar objetivos tangíveis para se chegar a algum lugar. E nem sempre os maiores investimentos são os melhores” relata.

Desse criatório, um dos melhores de animais de corte da raça Brahman, surgiram grandes campeões, raçadores e matrizes que colaboram para a evolução da genética em todo o país. E foi dessa forma, que João Leopoldino conseguiu o reconhecimento através do ranking. Para ele persistência e o amor são a base do sucesso.

“Na minha visão qualquer um pode chegar ao topo. Basta ter foco, ser persistente e acima de tudo gostar muito da raça em que se está envolvido. Além, é claro, de se fazer investimentos certos e bem direcionados”.

Para o pecuarista, a dedicação e a experiência são essenciais no caminho, mas é a raça que levanta a taça. “Já de início, quem participa, de uma forma ou de outra, está fazendo um gol de placa. Na verdade, o que nos impulsiona mesmo é a busca por animais melhoradores. E cada vez que nasce um bezerro, fruto de um acasalamento direcionado, a emoção quando se atinge aquilo que se busca é muito gratificante. O conhecimento do grupo de doadoras também vai tornando os trabalhos mais próximos do ideal. Para finalizar, todos nós envolvidos temos que entender que o processo de atingir as metas estabelecidas, pode variar de propriedade para propriedade, dependendo do tamanho do projeto. Por exemplo, determinado criatório pode não vencer o ranking, mas estar sempre colocando seus animais entre os melhores, provando a competência desta marca”, pontua.

 

Henrique Figueira #FazendaFigueira

Uma verdadeira seleção. Assim pode ser classificado, literalmente, o rebanho da Fazenda Figueira, em Uberaba (MG), que tem como base genética, doadoras provadas e de linhagens diferentes. Além disso, a bola da vez, também são os touros utilizados no plantel. Atualmente, são sete em coleta contratados pelas principais Centrais de Inseminação do país. O criador de Gir Leiteiro, Henrique Figueira, foi o primeiro Criador Revelação da ABCGil, em 2010. O destaque pelo trabalho aconteceu em muito pouco tempo de envolvimento com a raça, provando a qualidade das atividades.  Homem de fé, ele acredita que as bênçãos recebidas são completadas com o trabalho de uma equipe preparada e uma família unida, que segue os passos do pai José Armando Mendes Figueira, apaixonado pela raça.

As apostas para os bons resultados demandam tempo e dedicação. Mas, Henrique ressalta também a multiplicação do material genético, por meio da FIV, além de investimentos em alimentação e produção de silagem de milho. “Não adianta o criador apenas investir em boa genética, é preciso dar sequência ao trabalho por meio da FIV e nunca descuidar da alimentação do plantel. Animais bem criados e bem nutridos terão um desempenho maior e um retorno mais rápido do que animais que sofrem com problemas de pouca ou má alimentação”, pondera Henrique, considerando que esse é um ponto crucial na seleção, pois se não houver cuidado, pode atrasar a  lucratividade do rebanho.

Ele é consultor da FIGO Assessoria, presta consultoria em acasalamentos dirigidos, escolha de time de pista, leilões. Para ele, a máxima “quem não é visto não é lembrado”, é o que move o trabalho de marketing do seu plantel direcionando, assim, informações e promovendo negócios. Por isso, participar das exposições, envolver-se com o que a ABCGil e ABCZ promovem, como as provas zootécnicas e ferramentas de controle da produtividade do plantel, também agregam credibilidade aos dados divulgados e alcançados pela fazenda.

“A meu ver, o criador precisa seguir o seu feeling, mas junto a isso é preciso trocar ideias, conversar com outros criadores, consultar técnicos e assessorias. Com esse volume de informações adquiridas é mais fácil acertar e conhecer, por exemplo, quais os touros novos que estão se destacando. Esse foi um dos segredos que me levaram a estar entre os três melhores criadores e expositores de Gir Leiteiro do Brasil, desde 2010.”